Domingo, 21 de Agosto de 2005

A um Secreto Leitor



No silêncio da noite é que eu te falo



Como através dum ralo



De confissão.



Auscultadores impessoais e atentos,



Os teus ouvidos são



Ermos abertos para os meus tormentos.






Sem saber o teu nome e sem te ver



- Juiz que ninguém pode corromper -,



Murmuro-te os meus versos, os pecados,



Penitente e seguro



De que serás um búzio do futuro,



Se os poemas me forem perdoados.




(Miguel Torga)

publicado por Lumife às 19:14

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1 comentário:
De Anónimo a 6 de Setembro de 2005 às 10:43
Encontrei este blog por acaso; voltarei mais tarde para observar melhorcorrecaminhos
(http://correcaminhos.blogs.sapo.pt)
(mailto:correcaminhos@sapo.pt)

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