Sexta-feira, 4 de Fevereiro de 2005

Eugénio de Andrade

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Eugénio de Andrade é um dos mais lidos e traduzidos dos poetas portugueses vivos. Após algumas tentativas juvenis que mais tarde repudiou, impôs-se definitivamente no panorama da actual poesia portuguesa com "As Mãos e os Frutos" (1948).



Contemporâneo dos movimentos neo-realista e surrealista, quase não acusa influência de quaisquer escolas literárias, propondo uma poesia elementar, cuja musicalidade só encontra precedentes na nossa lírica medieval, ou num poeta como Camilo Pessanha, que Eugénio de Andrade assume - a par de Cesário Verde - como um dos seus mestres.



Em Eugénio de Andrade, a poesia dos elementos é também poderosa, mas quase sempre reportada ao amor - da natureza, dos seres e do corpo. Muito sensual e literária, plástica e musical, a sua poesia concebe-se como reelaboração da palavra até um limite de despojamento que parte do mundo (agudamente percebido) para reencontrar nele o ser eleito e, em última análise, a solidão como reduto essencial.



Eugénio tem a faculdade de articular o circunstancial com o absoluto, de perceber num ambiente concreto a voz de comunicação que o levará à inscrição poética, à transfiguração modelar, numa expressão límpida e pura muito própria.



bgtj.jpg



URGENTEMENTE


de Eugénio de Andrade





É urgente o amor.


É urgente um barco no mar.


.


É urgente destruir certas palavras,


ódio, solidão e crueldade,


alguns lamentos, muitas espadas.


.


É urgente inventar alegria,


multiplicar os beijos, as searas,


é urgente descobrir rosas e rios


e manhãs claras.


.


Cai o silêncio nos ombros e a luz


impura, até doer.


É urgente o amor, é urgente permanecer.



.


(Recanto da Alegna)





publicado por Lumife às 03:08

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