Terça-feira, 7 de Dezembro de 2004

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Florbela d’ Alma da Conceição Espanca nasceu em Vila Viçosa a 8 de Dezembro de 1894, filha de Antonia da Conceição Lobo e de João Maria Espanca. Fruto de amores extraconjugais foi, no entanto, levada para casa do pai onde foi criada. A falta da mãe e a pouca presença do pai serão marcantes em sua vida. É a busca de alguma coisa que complete o seu sentido de viver, que será uma presença constante em toda a sua obra.
Em 08 de Dezembro de 1913, Florbela casa-se com um antigo colega do Liceu, Alberto Moutinho. Este casamento no entanto não resulta em continuidade. Em 1917, vai para Lisboa e matricula-se na Faculdade de Direito. Não se sabe até hoje a razão porque Florbela se matricula em Direito apesar de Letras ser a sua vontade tantas vezes expressa.
Em 1921 dá-se um novo casamento, com Antonio Guimarães, um oficial da Guarda Nacional Republicana, que não traz à poetisa a estabilidade afectiva procurada. O amor intensamente buscado não o encontra ainda.


Numa nova tentativa, contrai um terceiro casamento em 15 de Outubro de 1925 , com Mário Lage que, no entanto, também não lhe traria a felicidade.


Na sua obra, na poesia, mas especialmente nas Cartas e no Diário do Último Ano, podemos constatar esta incessante procura do amor, a incompreensão, o ideal nunca encontrado, a dor que não se apaga.


O seu apego ao irmão Apeles morto tràgicamente num desastre aéreo em 1927 também foi um contributo para que toda a sua angustia se refletisse em grande parte de sua obra. No final desse ano Florbela escreve o livro de contos, Máscaras do Destino e dedica-o “ A meu Irmão,ao meu querido morto”.



“ A minha vida! que gâchis! - Se eu nem mesmo sei o que quero!” (Diário, 6 Fev.1930).
Ela sempre foi a incompreendida:
“Só se pode ser feliz simplificando, simplificando sempre, arrancando, diminuindo, esmagando, reduzindo; e a inteligência cria em volta de nós um mar imenso de ondas, de espumas, de destroços, no meio do qual somos depois o náufrago que se revolta, que se debate em vão, que não quer desaparecer sem estreitar de encontro ao peito qualquer coisa que anda longe: raio de sol em reflexo de estrelas” (Diário, 23 Jan.1930).


E ela não “simplificou” . E, por isso, na madrugada do dia em que completava 36 anos de idade, abandonou a vida.


“ E não haver gestos novos nem palavras novas” - (Diário, 2 Dez.1930).
Há na vida de Florbela uma data que parece ser tocada pelo destino: Nasce a 8 de Dezembro, casa pela primeira vez em 8 de Dezembro, suicida-se a 8 de Dezembro. E precisamente , 8 de Dezembro é o dia de Nossa Senhora da Conceição e foi na Igreja dedicada a Nossa Senhora da Conceição em Vila Viçosa, que Florbela d’ Alma da Conceição Espanca foi batizada.




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Bibliografia:








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Livro de Mágoas – Publicado em 1919


Livro de Soror Saudade – publicado em 1923


Charneca em Flor – publicado em 1931, por iniciativa do prof. Guido Batelli; no mesmo ano saiu uma Segunda edição desta obra seguida dos sonetos de Reliquae; é também por iniciativa de Guido Batelli que serão publicados os poemas de Juvenília;


Cartas, - 1913;


As Máscaras do Destino - 1927


Dominó Negro – Dois livros de contos – 1931



Mais tarde, uma edição de Sonetos inclui os anteriores, Livro de Mágoas, Livros de Soror Saudade, Charneca em Flor e Reliquiae.



A poesia de Florbela tem sido cantada por alguns dos grande intérpretes da canção. Destacam-se Teresa Silva Carvalho e Luís Represas, dos Trovantes, em Portugal. No Brasil, Fagner, cantor e compositor brasileiro musicou seu poema "Fanatismo".
No teatro, algumas obras lhe têm sido dedicadas. Em Portugal, em 1987 foi representado “Bela-Calígula”, e “Florbela” em 1991/1992.


No Brasil, em 1996, com texto de Maria da Luz, e produção de Miguel Falabella, a actriz Zezé Polessa trouxe à cena a personagem que teve uma vida intensa, onde sua poesia se caracterizava em verdadeiros espasmos d’alma. Em “A Bela do Alentejo” monólogo denso, intercalado com textos de Florbela, fez com que o público respirasse poesia, integrando-se ao seu poço de sofrimentos, onde uma alma feminina, dilacerada, mostra a dor e a emoção em todos os seus poemas.



publicado por Lumife às 13:32

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5 comentários:
De Anónimo a 9 de Dezembro de 2004 às 11:24
Recebi o teu convite e cá estou eu ! Espero que também passes pelo meu blog! Fico contente por ainda haver pessoas como tu que enaltecem as nossas grandes figuras! É preciso cada vez mais dar a importãncia devida ao nosso povo! Mónica
(http://mco.blogs.sapo.pt)
(mailto:monicacarvalho1@sapo.pt)
De Anónimo a 9 de Dezembro de 2004 às 09:01
Oi, recebi o teu convite, e cá vim espreitar. Florbela Espanca foi realmente uma grande poetiza e faz parte do rol das minhas preferidas!!
Beijos*meialua
(http://fragmentosdalua.blogdrive.com)
(mailto:luamagica@hotmail.com)
De Anónimo a 9 de Dezembro de 2004 às 08:56
Recebi o teu convite e aqui estou...
A poesia é sempre interessante e, por isso, o teu blogue também o será por certo.
Vou linká-lo para não perder os próximos capítulos...
Abraço.Nilson
(http://nimbypolis.blogspot.com)
(mailto:nimby33@hotmail.com)
De Anónimo a 8 de Dezembro de 2004 às 21:33
.*.Bom passei por aki mt depressa mas prometo k volto, só para ver komo anda o teu blog, espero k publikes poemas sobre a Lua e a escuridao, poix sao dois temas k m interessam, boa sorte para o blog.*. Lady Luna
(http://buffyworld.blogs.sapo.pt/)
(mailto:lady.luna@sapo.pt)
De Anónimo a 8 de Dezembro de 2004 às 18:11
Eis um blogue interessantíssimo. Espero que a linha editorial se mantenha.
Os meus sinceros parabéns.
conversasdexaxa2
(http://conversasdexaxa2.blogs.sapo.pt)
(mailto:LetrasAoAcaso@hotmail.com)

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