Quinta-feira, 28 de Abril de 2005

Ó Tranças De Que Amor Prisões Me Tece ... - (Bocage)

abelamulher.jpg



Ó tranças de que Amor prisões me tece,
Ó mãos de neve, que regeis meu fado!
Ó tesouro! Ó mistério! Ó par sagrado,
Onde o menino alígero adormece!

Ó ledos olhos, cuja luz parece
Tênue raio de sol! Ó gesto amado,
De rosas e açucenas semeado,
Por quem morrera esta alma, se pudesse!

Ó lábios, cujo riso a paz me tira,
E por cujos dulcíssimos favores
Talvez o próprio Júpiter suspira!


Ó perfeições! Ó dons encantadores!
De quem sois? Sois de Vênus? — É mentira;
Sois de Marília, sois dos meus amores.



publicado por Lumife às 23:16

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Quarta-feira, 27 de Abril de 2005

Meu Ser Evaporei Na Luta Insana... - (Bocage)

rftyg.jpg



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<img alt="rftyg.jpg" src="http://vates.blogs.sapo.pt/arquivo/rftyg.jpg" width="432" height="324" border="0" /><p>

<H5 align="center"<p>
Meu ser evaporei na luta insana<br>
Do tropel de paixões que me arrastava:<br>

Ah! cego eu cria, ah! mísero eu sonhava<br>

Em mim quasi imortal a essência humana!<p>

*<p>



De que inúmeros sóis a mente ufana<br>

Existência falaz me não dourava!<br>

Mas eis sucumbe Natureza escrava<br>

Ao mal, que a vida em sua origem dana.<p>


*<p>


Prazeres, sócios meus, e meus tiranos! <br>

Esta alma, que sedenta em si não coube,<br>

No abismo vos sumiu dos desenganos<p>


*<p>


Deus, ó Deus!... quando a morte a luz me roube,<br>

Ganhe um momento o que perderam anos,<br>

Saiba morrer o que viver não soube.<p></H5>




publicado por Lumife às 01:41

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Quinta-feira, 21 de Abril de 2005

Sobre estas duras ... - (Bocage)

homememulher.gif



*



Sobre estas duras, cavernosas fragas,


Que o marinho furor vai
carcomendo,


Me estão negras paixões n'alma fervendo


Como fervem no pego as
crespas vagas.





Razão feroz, o coração me
indagas,


De meus erros e sombra
esclarecendo,


E vás nele (ai de mim!)
palpando, e vendo


De agudas ânsias venenosas chagas.





Cego a meus males, surdo a teu reclamo,


Mil objectos de horror co'a ideia eu corro,


Solto gemidos, lágrimas derramo.





Razão, de que me serve o teu socorro?


Mandas-me não amar, eu ardo, eu amo;


Dizes-me que sossegue: eu peno, eu morro.



publicado por Lumife às 22:43

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Quarta-feira, 20 de Abril de 2005

Liberdade Querida e Suspirada - (Bocage)

liberdade.jpg


*



Liberdade querida e suspirada,


Que o Despotismo acérrimo condena;


Liberdade, a meus olhos mais serena,


Que o sereno clarão da madrugada!


Atende à minha voz, que geme e brada


Por ver-te, por gozar-te a face amena;


Liberdade gentil, desterra a pena


Em que esta alma infeliz jaz sepultada;


Vem, oh deusa imortal, vem, maravilha,


Vem, oh consolação da humanidade,


Cujo semblante mais que os astros brilha;


Vem, solta-me o grilhão da adversidade;


Dos céus descende, pois dos Céus és filha,


Mãe dos prazeres, doce Liberdade!

publicado por Lumife às 01:11

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Quinta-feira, 14 de Abril de 2005

De Suspirar ... (Bocage )

morte.jpg



*



De suspirar em vão já fatigado,

Dando trégua a meus males eu dormia;

Eis que junto de mim sonhei que via

Da Morte o gesto lívido, e mirrado:


*


Curva fouce no punho descarnado

Sustentava a cruel, e me dizia:

"eu venho terminar tua agonia;

morre, não peneis mais, oh desgraçado! "


*


quis ferir- me, e de Amor foi atalhada,

que armado de cruentos passadores

aparte, e lhe diz com voz irada:


*


"Emprega noutro objeto os teus rigores;

que esta vida infeliz está guardada

para vítima só de meus furores. "

publicado por Lumife às 17:55

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Quarta-feira, 13 de Abril de 2005

Cesário Verde (1855-1886)

verde.jpg


*


José Joaquim Cesário Verde nasceu em 25 de fevereiro de 1855 na cidade de Lisboa em Portugal. Filho de um lavrador e comerciante, dedicou-se desde muito jovem a essas atividades. No ano de 1873 matriculou-se no curso de Letras da Universidade de Coimbra, mas freqüentou o curso somente por alguns meses.



Nesse período, começou a publicar poesias no "Diário de Notícias", no "Diário da Tarde", no "Ocidente" e em alguns outros periódicos. Nessa época também surgem os sintomas mais agudos da tuberculose, doença que o levaria a morte em 18 de julho de 1886.



No ano seguinte, Silva Pinto, seu amigo dos tempos de universidade, reúne seus poemas em um livro intitulado "O Livro de Cesário Verde".

publicado por Lumife às 12:27

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Sexta-feira, 8 de Abril de 2005

Lúbrica - (Cesário Verde)

TR.jpg


*



Mandaste-me dizer,

No teu bilhete ardente,

Que hás-de por mim morrer,

Morrer muito contente.


*


Lançaste no papel

As mais lascivas frases;

A carta era um painel

De cenas de rapazes!


*


Ó cálida mulher,

Teus dedos delicados

Traçaram do prazer

Os quadros depravados!


*


Contudo, um teu olhar

É muito mais fogoso,

Que a febre epistolar

Do teu bilhete ansioso:


*


Do teu rostinho oval

Os olhos tão nefandos

Traduzem menos mal

Os vícios execrandos.


*


Teus olhos sensuais

Libidinosa Marta,

Teus olhos dizem mais

Que a tua própria carta.


*


As grandes comoções

Tu, neles, sempre espelhas;

São lúbricas paixões

As vívidas centelhas...


*


Teus olhos imorais,

Mulher, que me dissecas,

Teus olhos dizem mais,

Que muitas bibliotecas!

publicado por Lumife às 01:12

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Sexta-feira, 1 de Abril de 2005

Arrojos - (Cesário Verde)

namorada.jpg


*



Se a minha amada um longo olhar me desse

Dos seus olhos que ferem como espadas,

Eu domaria o mar que se enfurece

E escalaria as nuvens rendilhadas.


*


Se ela deixasse, extático e suspenso

Tomar-lhe as mãos "mignonnes" e aquecê-las,

Eu com um sopro enorme, um sopro imenso

Apagaria o lume das estrelas.


*


Se aquela que amo mais que a luz do dia,

Me aniquilasse os males taciturnos,

O brilho dos meus olhos venceria

O clarão dos relâmpagos nocturnos.


*


Se ela quisesse amar, no azul do espaço,

Casando as suas penas com as minhas,

Eu desfaria o Sol como desfaço

As bolas de sabão das criancinhas.


*


Se a Laura dos meus loucos desvarios

Fosse menos soberba e menos fria,

Eu pararia o curso aos grandes rios

E a terra sob os pés abalaria.


*


Se aquela por quem já não tenho risos

Me concedesse apenas dois abraços,

Eu subiria aos róseos paraísos

E a Lua afogaria nos meus braços.

*


Se ela ouvisse os meus cantos moribundos

E os lamentos das cítaras estranhas,

Eu ergueria os vales mais profundos

E abateria as sólidas montanhas.


*


E se aquela visão da fantasia

Me estreitasse ao peito alvo como arminho,

Eu nunca, nunca mais me sentaria

Às mesas espelhentas do Martinho.

publicado por Lumife às 23:48

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